QUALY NUTRIÇÃO ANIMAL

SILAGEM: MANEJO E SUAS CURIOSIDADES

15/12/2021

Por Msc. Mayara Clepf Bailoni Santos

Médica Veterinária e Mestre em Ciências – Nutrição e Produção Animal (CRMV/SP 30279)

Gerente de Controle de Qualidade – Qualy Nutrição Animal

Com o aumento da competitividade mundial no sistema cárneo e leiteiro, a utilização de forragem conservada cresce a cada ano promovendo avanços e equilíbrio para a produção animal. A sua principal utilização é em períodos secos de baixa oferta de forragem pelas pastagens, momento em que o pasto não oferece a quantidade de nutrientes necessários para os animais em produção.
A ensilagem é uma prática para armazenamento da forragem. Esse processo garante que a perda nutricional da forragem seja pequena e permite com que o alimento seja armazenado por um longo período devido a uma fermentação controlada durante o processo. Para que esse armazenamento seja viável e possível, são necessários alguns passos para o sucesso deste armazenamento:

1) Planejamento e plantação;
2) Colheita e corte no momento ideal;
3) Trituração no tamanho indicado;
4) Compactação (com tratores ou máquina de silagem);
5) Vedação e armazenamento (com lonas ou em sacos);
6) Após a fermentação, distribuição para os animais.

O tamanho ideal do corte deve ser de 1 a 2 cm. É necessário um tamanho menor de corte para forragens mais secas (matéria seca abaixo de 30%), quando comparadas com forragens mais úmidas.
O ponto de corte da planta tem papel fundamental na qualidade da silagem e quando cortadas em tamanho ideal, de maneira uniforme e com a maioria dos grãos devidamente processados, a compactação é facilitada, reduzindo também o ar na silagem de maneira mais rápida. A redução de ar é essencial para a inibição do processo de respiração, onde se tem a liberação de energia em forma de calor (energia que seria utilizada pelo animal). Na prática, boa qualidade de corte é obtida com a afiação das facas, duas ou mais vezes ao dia, aproximação de facas e contra-facas e ajuste no corte de acordo com o teor de matéria seca no momento da ensilagem, monitorando o processo pela eficiência de na quebra do grão e no corte da planta.
A quantidade de forragem a ser ensilada e a projeção de silagem a ser consumida diariamente determinam o tamanho adequado para os silos. A altura, largura e comprimento devem ser pequenos o bastante para permitir uma rápida progressão da massa de silagem durante a fase de retirada da mesma. É preferível utilizar silos pequenos e bem dimensionados de acordo com o consumo x quantidade dos animais. Silos menores podem ser abastecidos em menor tempo e a silagem removida mais rapidamente, devido à menor superfície exposta durante a fase de retirada.
O ideal é que o silo esteja perto da área onde a ração é misturada. Isto minimiza o tempo de retirada, pesagem e mistura da silagem com os outros ingredientes da dieta total.
A maioria dos silos são abastecidos lentamente, e isto normalmente é o resultado da capacidade do silo ser muito grande. Um período de 2 a 3 dias é considerado ideal. A maioria dos produtores de silagem não veda temporariamente, nem cobre a frente da forragem ensilada quando o enchimento é prorrogado. Se há previsão de chuva e o corte vai ser interrompido em alguns dias, é aconselhável uma cobertura temporária.
Silos horizontais devem ser vedados com uma cobertura plástica, a qual deve ser fixada com pneu, terra, areia ou algum material pesado. Essa cobertura deve ultrapassar pelo menos um metro na lateral do silo e um peso adicional deve ser colocado ao longo de toda a parede para minimizar a entrada de ar e água.
A fase de fermentação deve ser completada antes de o silo ser aberto e usado. Geralmente leva de 2 a 3 semanas.
As perdas em uma boa silagem variam de 5 a 10. A perda é definida como o montante de matéria seca que é colocado no silo, menos o montante de matéria seca da silagem útil removida para fornecer aos animais.
A maioria das silagens de milho e sorgo tem pH entre 3,8 a 4,2 e silagens emurchecidas apresentam pH entre 4,2 a 4,6. Em geral, forragens com baixa matéria seca terá pH maior do que aquelas com alta matéria seca, e forragens que tem alta capacidade tamponante (alfafa) terão mais altos valores de pH (4,6 a 5,0).
A face da silagem deve ser mantida como uma superfície lisa, perpendicular ao solo e as paredes do silo. A taxa de retirada da massa de silagem deve ser suficiente para prevenir silagem exposta ao aquecimento, sendo removida diariamente acima de 25 cm.
O tempo necessário para a silagem aquecer durante a fase de retirada é totalmente imprevisível. O tipo de forragem, seu conteúdo de matéria seca, tamanho do corte, tempo de enchimento, grau de compactação e condições após a abertura, influenciam na deterioração e aquecimento da massa ensilada.
Qual problema posso ter com a silagem?
A deterioração aeróbia é caracterizada pela entrada de ar no silo onde os microrganismos poderão ter subsídios para multiplicação e consumirem os compostos energéticos presentes na silagem. O oxigênio penetra na massa ensilada, que com o seu movimento proporciona porosidade do material, essa ação reduz a qualidade da silagem desde a exposição da silagem no painel do silo até o cocho.
Os fungos são os principais microrganismos relacionados à deterioração da silagem exposta ao ar, destacando-se as leveduras, e as bactérias do gênero Bacillus, podendo permanecer inativas dentro do silo até a exposição da massa ensilada ao oxigênio. Esses microrganismos utilizam substratos derivados diretamente da forragem ou indiretamente da fermentação para o seu desenvolvimento.
Esta deterioração aeróbia contribui com as perdas de matéria seca e do valor nutritivo, influenciando negativamente no desempenho produtivo dos animais. Silagem ofertada aos animais com problemas de deteriorização aeróbica podem ocasionar graves danos metabólicos nos animais. Atenção no manejo e no dimensionamento da silagem é a chave!
Na Qualy Nutrição Animal a parceria é um compromisso! Em caso de dúvidas e orientações, nossa equipe técnica esta à disposição para auxiliar nossos parceiros.

Referências bibliográficas consultadas:

Amaral, R. C., & Nussio, L. G. (2011). Fungos e micotoxinas em silagens: In: Simpósio sobre produção e utilização de forragens conservadas, Anais…, 221- 250.
Andriguetto, J.M.; Perly, L.; Minardi, I.; Gemael, A.; Flemming, J.S.; Souza, G.A.; Filho, A.B. Nutrição animal, as bases e os fundamentos da nutrição animal. Nobel. 4ª Ed, 1988.
Bernardes, T. F., Reis, R. A., Siqueira, G. R., Amaral, R. C. D., & Pires, A. J. V. (2007). Estabilidade aeróbia da ração total e de silagens de capim-marandu tratadas com aditivos químicos e bacterianos. Revista Brasileira de Zootecnia, 36(4), 754-762. doi: https://www.scielo.br/pdf/rbz/v36n4/02.pdf.
Dawson, L. E. R., Ferris, C. P., Steen, R. W. J., Gordon, F. J., & Kilpatrick, D. J. (1999). The effects of wilting grass before ensiling on silage intake. Grass and Forage Science, 54(2), 237-247.doi: 10.1046 / j.1365-2494.1999.00176.x.
National Research Council – NRC. 1997. The Role of Chromium in Animal Nutrition. The National Academies Press, Washington, p.96.

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